10/03/07

Dei! Sim, eu dei-te! Dei-te o meu corpo, deixei que o invadisses para teu próprio prazer, usas-te-o e hoje o despojas-te no chão deste quarto moribundo, decadente. Tal como o meu corpo usas-te também a minha alma, mas essa nao me voltas-te a devolver, guardas-te-a e juntas-te-a à tua colecção inalterável de rhistórias de "Amor". Mas nao me importei. Se me devolvesses a alma ela regreassaria suja, tao decadente como este quarto.
Irei construir o que destruis-te, irei limpar o meu corpo e sair deste quarto que ainda te deseja tanto como eu.
Escrito por rita em 16:28:10 | Link permanente | Comments (26) |

10/02/07

 

Saudade é não saber de ti.
É sentir-te sem poder.
É acordar e ter certeza que não vais estar ali.
Olhar para nada sem saber nada.
É querer voltar num tempo que já não existe ...
Querer teus beijos, teu olhar,
e ter certeza que não são mais meus.
Saudade é o muito que ficou de ti dentro de mim,
é aquilo que nunca talvez saibas.
Saudade é não ter quem se ama perto
e de repente eu mesma não me bastar
e arrastar uma solidão infinita
olhar.. e olhar.. e não te ver...
não te ter.....
Saudade é procurar fugir para todos os lugares
é tentar parar o pensamento
e encontrar outro pensamento
e querer não chorar quando oiço uma música que era parte de ti
É querer que o tempo volte
e que talvez nada tenha existido
para que não existisse agora esta dor horrível
ou talvez que tudo tivesse existido
para que sempre houvesse o que recordar
Saudade...
é o que sinto de ti...

Escrito por rita em 18:26:29 | Link permanente | Comments (0) |

09/11/07

Procuro algo … em vão.
Não sei se é vicio, se luxúria, se algo que me transforma quando olho e oiço o som da voz … não sei quem és por dentro não sei quem és por fora.
Sinto que o espelho me mente … olho mais afundo, mas o vapor não me deixa compreender o que vejo … só vejo uma cortina que não consigo ultrapassar …
Perco-me nos sonhos e nos sons que chegam por entre as nuvens que passam entre as chamas das velas …
Vejo-me depois, nua na escuridão, com pequenas pérolas de luz num espelho onde já não me encontro há tanto tempo … será que me perdi, no éter, na água, ou no vapor.

Escrito por rita em 15:04:56 | Link permanente | Comments (0) |

A vontade de fazer deve ser sempre maior que o medo de errar.
Escrito por rita em 15:00:05 | Link permanente | Comments (0) |

09/09/07

Só há uma maneira para se ser realmente feliz .. É algo que se aprende com o tempo e descobre-se com a vida. Pratica-se todos os dias e por vezes custa, mas vale sempre a pena. É um dos 'truques' mais difíceis do mundo para quem nunca o recebeu e dos mais fáceis, para quem já o teve. O truque é fazer feliz quem se ama. O mesmo que dizia que o amor é a coisa mais triste quando se desfaz. Mas isso faz parte da vida, como a morte, como a falta de sorte, como a falta de tempo, como o medo e a vontade, como tu e como eu. E no amor, aquele que o tempo, ou a vida, ou o medo, ou a falta de sorte não deixam construir, está guardado para sempre.
Escrito por rita em 17:30:30 | Link permanente | Comments (0) |

08/30/07

Dás três voltas a maldita fechadura, deparas-te com o vazio que criaste. Descalças-te e pousas as chaves. Arrumas o casaco no armário e sentas-te a ler o que o carteiro te trouxe, nada diferente do mês passado, apenas mais contas. Suspiras pelo fim do dia. Ouves a vida lá fora enquanto cá dentro te agarras ao silêncio inoportuno. Todos os dias é assim. Arranjas um pão com leite achocolatado, fazes uma omolete (do nada que cozinhas) ou telefonas a pedir algo do «Take Away». As horas passam com o girar da bola no campo, um pouco de euforia dos adeptos mantem-te acordado até o sono chegar, e finalmente fechas os olhos na cama larga e extensa que vagueias noites sem fim.
As tuas pernas já não têm força para pegar na bicicleta e fugir por aí aos fins de semana, por isso deixas-te ficar um pouco mais na cama, enquanto tudo lá fora se agita.
O único som que ouves na casa é o tremer das paredes provocado pelos vizinhos do andar de cima. Já nem isso te incomoda.
Lembras-te quando foi a ultima vez que a campainha tocou? Talvez apenas para receberes o jantar que encomendaste.
Perdeste tudo à tua volta.
Vagueias sozinho. Não conversas. Não tens sonhos. Não tens companhia no meio de paredes que deixaste por ilustrar. Não soltas uma gargalhada à anos. Não tens emprego porque foste mal educado para o teu patrão. Não tens amigos porque os maltrataste quando te quiseram ajudar. Não tens mulher porque não sabes amar. Não tens filhos porque um dia os mataste.
Assim,
Morres. Sozinho. No vazio que criaste.

Vazio - Adriana Lopes.

Escrito por rita em 20:20:00 | Link permanente | Comments (0) |

08/22/07

"Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a dizer.E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.

Às vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que o destino e as circunstâncias de encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.


Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizémos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor.

Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último combóio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.

Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer."

Escrito por rita em 18:26:12 | Link permanente | Comments (0) |

08/21/07

"Prefiro esquecer, esquecer-te até se preciso for, para viver como tu vivias, apreciando cada momento - sobretudo os dolorosos, pela lucidez que trazem como bónus - desta tão precária maravilha a que chamamos existência. Tantas vezes te aconselhei as virtudes do silêncio. Queria calar-te para te proteger, sim. Há poucas pessoas apetrechadas para a verdade - mesmo nós, quantas vezes não fechámos à chave umas verdadezitas mais cortabtes para não nos magoarmos? Creio que me fazes - schiuuu! - assim, com uma vagar de embalo, sempre que a voz da minha consciência ( seja lá isso o que for) sobe o tom para me acusar pelo que não te dei. Creio sem crer, como um condenado. Afinal de contas, não tenho nada a perder. Mesmo que os anjos não existam, as asas com que te vejo, sentada na beira da minha cama, do cume enlouquecendo da minha insónia, ficam-te melhor do que todas as toilettes. Esforço a imaginação, estendo-a até aos teus dedos, mas não consigo mais do que um ligeiro raçagar de asas. São lençóis que agito, bem sei - mas não me concederás a graça de transformar a fímbria do meu lençol na ponta dos teus dedos?"

Escrito por rita em 22:24:43 | Link permanente | Comments (0) |

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É preciso correr riscos, dizia ele. Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça.

 

Todos os dias Deus nos dá – junto com o sol – um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que não percebemos este momento, que ele não existe, que hoje é igual a ontem e será igual a amanhã. Mas, quem presta atenção ao seu dia, descobre o instante mágico. Ele pode estar escondido na hora em que enfiamos a chave na porta pela manhã, no instante de silêncio logo após o jantar, nas mil e uma coisas que nos parecem iguais. Este momento existe – um momento em que toda a força das estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres.

 

A felicidade às vezes é uma bênção – mas geralmente é uma conquista. O instante mágico do dia nos ajuda a mudar, nos faz ir em busca de nossos sonhos. Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões – mas tudo é passageiro, e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé.

 

Pobre de quem teve medo de correr os riscos. Porque este talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás – porque sempre olhamos para trás – vai escutar seu coração dizendo: “O que fizeste com os milagres que Deus semeou por teus dias? O que fizeste com os talentos que teu Mestre te confiou? Enterraste fundo em uma cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza de que desperdiçaste tua vida.”

 

Pobre de quem escuta estas palavras. Porque então acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terão passado.

 

Escrito por rita em 22:01:14 | Link permanente | Comments (0) |

08/14/07

Por momentos tive vergonha, por momentos a auto estima falhou, por momentos nao me reconheci, nem ninguem me reconhecia. Os projectos que tinha, tornaram-se miragens, a ambicao ou o que restava dela restringia-se agora a coisas banais, tao banais como aquilo em que me tinha tornado. Mas eu nao desisto, nao atiro a toalha ao chao, parei para pensar, as coisas surgiram. Aos poucos, estava a voltar, aos poucos comecei a reconhecer-me. Hoje sei em quem posso confiar, sei quem ca esta sempre, sei que se algum dia voltar a cair, tenho alguem para me levantar. Ja nao quero ser como antes, quero ser melhor... Nao quero ser ambicioso, quero sim ter tudo o que ambiciono. Agora ja nao me paras, ja nao me afectas, ja nao tenho vergonha, e sei que quando voltares a olhar para mim, vais faze-lo de baixo para cima! Descobri que ter problemas e inevitavel, mas ser vencido por eles... e opcional...

Escrito por rita em 20:12:58 | Link permanente | Comments (0) |